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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

J.B. De Almeida-Garrett

Viagens na minha terra


J.B. DE ALMEIDA-GARRETT
CAPITULO I
" Que viage á roda do seu quarto quem está á beira dos Alpes, de hynverno, em Turim, que é, quasi tam frio como San'Petersburgo - intende-se. Mas com este clima, com este ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o proprio Xavier de Maister, que aqui escrevesse, ao menos ia até ao quintal.
Eu muitas vezes, n’estas suffocadas noites d’estio, viajo até á minha janella para ver uma nesguita de Tejo que está no fim da rua, e me inganar com uns verdes de árvores que alli vegetam sua laboriosa infancia nos intullos  do Caes-do-Sodré. É nunca escrevi éstas minhas viagens nem as suas impressões: pois tinham muito que ver ! Foi sempre ambiciosa a minha penna:  pobre e suberba, quer assumpto mais largo. Pois hei de dar-lh’o. Vou nada menos que a Santarem: e protesto que de quanto vir e ouvir, de  quanto eu pensar e sentir se hade fazer chronica.
Era uma idea vaga, mais desejo que tenção, que eu tinha ha muito de ir conhecer as riccas varzeas d’esse Ribatejo, e saudar em seu alto cume a mais historica e monumental das nossas villas. Aballam-me as instancias de um amigo, decidem-se as tonterias de um jornal, que por mexeriquice quiz incabeçar em designio politico determinado a minha visita. Pois por isso mesmo vou: - pronunciei-me.
São 17 d’este mez de julho, anno de graça de 1843, uma segunda-feira, dia sem nota e de boa estrea. Seis horas da manham a dar em San’-Paulo, e eu a caminhar para o Terreiro-do-Paço. Chego muito a horas, invergonhei os meus madrugadores dos meus companheiros de viagem, que todos se prezam de mais matutinos homens que eu, Ja vou quasi no fim da praça, quando oiço o rodar grave mas pressuroso de uma carroça d’ancien régime: é o nosso chefe e commandante, o capitão de impreza, o Sr. C. da T. que chega em estado.
Tambem são chegados os outros companheiros: o sino dá o último rebate. Partimos." 

Typographia da Gazeta dos Tribunaiis

1846 - 2ª publicação



Para a Vera e para o Peninha


Kat

domingo, 23 de janeiro de 2011

“Para Sempre e Mais um Dia”

Na passada sexta-feira foi apresentado na Biblioteca Municipal de Valongo, o livro "Para sempre e mais um dia", da autora Laura Costa, natural e residente em Valongo.

O porquê de estar a relatar esta apresentação deve-se essencialemente a dois factos. Primeiro porque este livro relata a história de Gil, uma criança autista, ou melhor uma criança portadora de síndrome de Asperger, considerado uma forma leve de autismo, a sua integração social e a forma com os pais vivem em exclusivo para o seu filho.

“É uma temática muito pouco retratada na literatura mundial e este romance é talvez o único do género em Portugal, uma vez que tudo o que existe acerca do autismo e do síndrome de Asperger são livros de carácter mais técnico. Esta é talvez a principal razão pela qual o livro tem sido tão bem aceite quer junto das entidades, associações e instituições que lidam com esta problemática, bem como junto das famílias onde existem crianças autistas ou portadoras do síndrome de Asperger”, refere a autora do livro”, revelando ainda que este livro é dedicado a uma “criança” com quem tem grande ligação e que difere da personagem principal do livro no facto de ser portadora de uma forma mais severa de autismo e não ter as aptidões especiais (como a vocação para a pintura) que tem a personagem do livro.

A segunda razão e talvez a mais especial é que através do facebook e de amigos "comuns", a autora acabou por ter conhecimento da história do meu filho e de uma forma espontânea enviou-nos uma edição autografada e com dedicatória. Por isso mesmo e pela atitude torna este livro especial e lido de uma forma ainda mais apaixonante.

Obrigado...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Para os mais novos e não só...

"As Aventuras de Maresia do Mar e Outras Histórias para Aprender"


Trata-se da primeira experiência de Francisco Moita Flores na literatura para os mais novos.

Para além de contar histórias como só ele sabe, os conteúdos destas histórias permitem aprender alguns conceitos e algumas noções sobre algumas das coisas que se passam á nossa volta, como o cliclo da água, a alimentação de alguns animais, conceitos de astronomia, usando personagens que por si só nos dão algumas pistas sobre o tema que a história vai abordar:

A Maresia do Mar.
O vírus Influenza, tratado carinhosamente pelos amigos por Gripe...

Temos um Rouxinol Astronauta e o Gorilia Cacho de Bananas e as questões debatidas na Assembleia Mundial dos Animais.

Para além de ser um livro muito interessante para os mais novos penso que ao lermos o livro recuamos um pouco no tempo e regressamos ao tempos da nossa juventude e relembrar que em todos nós fica sempre parte dessa criança.

Sou suspeito ao falar do livro porque sou adepto confesso deste autor (devo essa dedicação à Kat...) mas acho que as hsitórias são bastante interessantes e bonitas. Ao ler este livro não podemos esquecer que é um livro de aventuras para os mais novos e para aquela parte de nós que também nunca chegou a envelhecer!!




sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Sôbolos

O título do último livro de  António Lobo Antunes despertou-me alguma curiosidade por desconhecer a palavra "Sôbolo" bem como o seu significado. Efectuei então uma pequena pesquisa e descobri que:


A palavra sôbolos corresponde à flexão do masculino plural de sôbolo. Esta é uma forma do português antigo, contracção da preposição sobre com artigo definido antigo lo e pode ter as flexões sôbola, sôbolos, sôbolas, equivalentes, respectivamente, a sobre a, sobre os, sobre as.
É de referir que a recente obra de António Lobo Antunes (Sôbolos Rios Que Vão) retoma o primeiro verso de uma redondilha de Camões que, em algumas edições com actualização gráfica, é por vezes transcrito "Sobre os rios que vão".
Helena Figueiredo, 10-Nov-2010

BABEL E SIÃO
 
Sôbolos rios que vão
por Babilónia, me achei,
Onde sentado chorei
as lembranças de Sião
e quanto nela passei.
Ali, o rio corrente
de meus olhos foi manado,
e, tudo bem comparado,
Babilónia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.
[...]

Camões (1524-1580)

Kat

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Porta

Gosto de José Fanha e há muito tempo, mais de um ano seguramente, que ando à procura de um conto dele chamado "A Porta".  "Esgotado na Editora", sempre me disseram. Tristemente fui-me mentalizando desta situação e desiti de abrir esta "porta". Ora, ontem andava no freeport para trocar um presente de natal e, aproveitando as férias escolares para ler algo menos académico, entrei numa livraria para adquirir o "Bom Inverno". Espanto dos espantos, esbarro na "porta"! A do José Fanha, bem entendido. 

Um menino e os pais chegam, de malas feitas, a uma casa nova. Mas a casa nova não tem em paredes, nem tecto, nem nada. Apenas uma porta. - Uma porta é um bom começo! - disse logo o pai que era um sonhador. Mas a mãe ficou muito aflita. - E onde é que está a cozinha, a sala, o quarto?! Tudo estava por inventar naquela casa que ainda só tinha uma porta. No entanto, essa não era uma porta vulgar. Abria para um mundo mágico onde viviam e vivem os novos vizinhos: o Grande Espinafre, a Bruxonauta, a Princesa Princesinha e o Xico Parafuso. Gente estranha e invulgar mas cheia de vontade de ajudar embora nem sempre essas ajudas resultem da melhor maneira. Basta lembrar os bruxedos falhados da Bruxonauta, das tentativas do Xico Parafuso de pregar as pessoas ao chão e os ponteiros ao relógio, ou do esparguete que não pára de crescer na horta do Grande Espinafre.
“Que o mundo está todo do avesso já sabemos. Às vezes está do avesso para bem e outras para mal. Mas se resolvêssemos aparafusá-lo, deixava de rodar e isso é que não tinha graça nenhuma.”
(...)“Há tantas coisas que nós fazemos porque sim ou porque não. Bem… Lá no fundo temos sempre uma razão, mesmo quando não sabemos qual é."
(...) “É bom que as paredes dos castelos sejam, por vezes, bem reais e sólidas, metade de pedra, metade de sonho.(...)"
José Fanha. A porta. (1990)

Ainda não li mas tenho a certeza que eu e as crianças, vamos gostar de abrir esta porta e conhecer esta casa ;-)
Kat

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Kanikosen- O Navio dos Homens

Sinopse

«Vamos até ao inferno.» Começa assim a história do Hakko Maru - um pesqueiro que parte para a faina nas águas gélidas do Kamchatka - e da sua tripulação: um grupo diversificado de lobos-do-mar curtidos e arruinados pela bebida e pelas mulheres, estudantes universitários em dívida com o Estado e camponeses pobres.

O patrão da expedição pesqueira força os tripulantes a trabalhar até ao esgotamento e aplica-lhes castigos brutais. Espalham-se as sementes da revolta e rebenta o inevitável motim.

Kanikosen - O Navio dos Homens é um clássico da literatura japonesa. Foi publicado pela primeira vez em 1929 e recentemente surgiu nas listas dos livros mais populares porque os leitores modernos identificaram-se com as humildes personagens que protagonizam este romance."

O Navio dos Homens e de uma forma resumida, relata a história de um grupo de marinheiros que trabalha num navio pesqueiro em condições sub-humanas devido às ordens de um patrão que os obriga a trabalhar até quase à exaustão aplicando castigos muito severos e brutais a quem não segue as regras/ordens. Muitos acabam por ceder e a morte e o suicídio é o destino que os espera e a única solução para os mais fracos.

Como acontece em muitas situações como esta e daí também uma relação com o nosso mundo actual em que se procura o lucro a qualquer preço, a revolta acaba por ter como resultado um motim a bordo, no fundo uma manifestação de desagrado contra as condições precárias de trabalho e também os maus tratos.

Acaba por ser um livro inquietante com descrições brutais de um ambiente também brutal e cruel.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

spira mirabilis

Ainda me estou a ajustar ao ritmo alucinante a que agora estou sujeita. Depois de 8 horas de trabalho (tudo, menos sossegadas) seguem-se, todos os dias,  5 horas de "partilha de conhecimento" que só me permitem o regresso a casa, qual Cinderela, depois da meia-noite. 
Contrariamente à maioria das pessoas que andam nesta "spira mirabilis",  uso a leitura para "desligar" o meu pequeno cérebro e conseguir alhear-me das 30 toneladas de matéria que tenho para digerir e processar.  Como é que consigo? Não sei? Leio porque gosto  e necessito mesmo de usar um pouco, do pouco tempo que ainda tenho, para dedicar a esse pequeno prazer.
Assim, entre 5 frequências, 2 mini-testes, aulas de dúvidas ao sábado e um trabalho de 20 páginas sobre o qual nem um parágrafo consigo escrever, consegui ler "Marina" - o último livro (primeiro a ter sido escrito) de Zafón.


" (...) Marina, tal como a obra que consagrou Zafón, é um romance mágico de memórias, escrito numa prosa ora poética ora irónica, assente numa mistura de géneros literários (entre o romance de aventuras e os contos góticos) e onde o passado e o presente se fundem de forma inigualável.
Classificado pela crítica como «macabro, fantástico e simultaneamente arrebatador», Marina propõe-nos uma reflexão continuada sobre os mistérios da condição humana através do relato alternado de três histórias de amor e morte.
Ambientada na cidade de Barcelona, a história decorre entre Setembro de 1979 e Maio de 1980 e depois em 1995 quando Óscar, o protagonista, recorda a força arrebatadora do primeiro amor e as aventuras com Marina, recupera as anotações do seu diário pessoal e revisita os locais da sua juventude."
Kat

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Diário de um fumador


“Diário de um Fumador” de David Sedaris... um livro que me surpreendeu pela positiva... aliás não esperava outra coisa tendo em conta quem me ofereceu o livro, que por si só já tornava o livro especial.


É um livro super engraçado de histórias que podem ocorrer no quotidiano de qualquer um de nós, de momentos que passamos nas mais diversas situações, ambientes e na companhia das mais bizarras pessoas.


Vês Kat, quando digo que devias escrever um livro sobre as tuas aventuras nos meios de transporte???

Por mais normal que seja a história, o autor transforma a mesma num acontecimento de rir às gargalhadas. As críticas, as apreciações, a descrição das situações são excelentes e o humor por vezes sarcástico é hilariante e no qual me revejo muito.

Aliás, utiliza um humor que aprecio muito e que por vezes gosto de utilizar. Resumindo, o autor tem um humor fantástico aliado ao facto de também escrever bem. Enquanto lemos o livro esquecemo-nos por momentos das agruras da vida e se o lermos de mente aberta, vamo-nos divertir em grande, mesmo que por vezes esteja a dizer a mais pura das verdades.

Muitas frases utilizadas para descrever determinadas situações podiam ter sido escritas ...por mim, isto porque me revejo no que escreve e como escreve... e como “goza” com as situações.

Se este livro fosse um "medicamento" isto podia perfeitamente vir no folheto que poderia acompanhar este livro:

Classificação Farmacoterapêutica:

Um livro óptimo para desanuviar a cabeça dos problemas diários, sendo que deve ser lido de forma pausada para melhor aproveitar o seu efeito terapêutico!

Contra Indicações:

Quem não gosta de uma boa gargalhada e carrancudo é o nome do meio...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Cogito ergo sum

Cogito, ergo sum significa "penso, logo existo"; ou ainda Dubito, ergo cogito, ergo sum: "Eu duvido, logo penso, logo existo" é uma conclusão do filósofo e matemático francês Descartes alcançada após duvidar da sua própria existência, mas comprovada ao ver que pode pensar e se está sujeito à tal condição, deve de alguma forma existir. in Wikipédia

David Eagleman
Quarenta Histórias da Vida para além da Morte,



Ando por aqui ....

 
 



Kat

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Visto do Céu

“Visto do Céu” de Alice Sebold, é uma história narrada por uma adolescente de 14 anos.
Até aqui tudo seria normal não fosse o facto de quando a história começa a ser contada, Susie está morta.

A primeira parte do livro começa mesmo pela narração da sua própria morte, a forma como foi brutalmente violada e assassinada por um pacato vizinho.

A partir do céu, Susie observa o clima que se instala na sua própria casa e como as relações entre as pessoas da sua família se vão detiorando, os esforços de um detective na resolução do crime e acima de tudo a impunidade do seu assassino, um vizinho discreto que constrói casas de bonecas e a certeza de um pai de que esse vizinho é o assassino da sua filha mas sem meios para o provar.


Para além deste livro se focalizar nas reacções das pessoas a um crime deste género, que envolve a morte de uma adolescente cujo corpo nunca é encontrado , a questão da vida para além da morte é sem dúvida alguma um tema que nos preenche o pensamento ao longo da leitura deste livro.

sábado, 24 de abril de 2010

Conjectura de Goldbach


"Qualquer número par maior que 2 é a soma de dois números primos"
Christian Goldbach (1742)
O tio Petros e a conjectura de Goldbach 

de
Apostolos Doxiadis 
Se ainda não leram e gostam de romances na área das ciências, aconselho. Muito bem escrito por Apostolos Doxiadis - admitido na Universidade de Columbia de Nova Iorque com apenas 15 anos, após ter entregue um trabalho original no Departamento de Matemática - que nos apresenta este romance narrado pelo sobrinho que descobre que afinal o seu tio Petros não é um homem invulgar para quem é um génio da matemática. Goldebach dedicou toda a sua vida a tentar demonstrar, sem sucesso, esta Conjectura da Teoria dos Números. 
Eu, quando li, adorei. E nem sei bem por que é que me fui lembrar disto ... 
Kat

sexta-feira, 12 de março de 2010

João Tordo

Conheci este autor pela mão da Vekiki. Obrigada pelo presente.
Acabei de ler e gostei muito. Do estilo, da história, das personagens e dos diálogos.

Vou ler mais João Tordo, that's for sure! 

Kat

terça-feira, 9 de março de 2010

A Estrada

Sinopse "A ESTRADA" de Cormac McCarthy

"Um pai e um filho caminham sozinhos pela América. Nada se move na paisagem devastada, excepto a cinza no vento. O frio é tanto que é capaz de rachar as pedras. O céu está escuro e a neve, quando cai, é cinzenta. O seu destino é a costa, embora não saibam o que os espera, ou se algo os espera. Nada possuem, apenas uma pistola para se defenderem dos bandidos que assaltam a estrada, as roupas que trazem vestidas, comida que vão encontrando - e um ao outro. A Estrada é a história verdadeiramente comovente de uma viagem, que imagina com ousadia um futuro onde não há esperança, mas onde um pai e um filho, "cada qual o mundo inteiro do outro", se vão sustentando através do amor. Impressionante na plenitude da sua visão, esta é uma meditação inabalável sobre o pior e o melhor de que somos capazes: a destruição última, a persistência desesperada e o afecto que mantém duas pessoas vivas enfrentando a devastação total. "


O que me levou a ler este livro começa por ter visto a apresentação do filme que entretanto saiu com o mesmo nome. A história chamou-me a atenção e então optei por ler primeiro o livro.
A primeira coisa que descobri sobre este livro é que venceu o Prémio Pulitzer em 2007.

Este livro relata a viagem de um pai e um filho ao longo de uma estrada em direcção ao litoral, onde supostamente encontrarão outros sobreviventes a uma catástrofe de dimensões devastadoras. No livro nunca é referido o que originou essa catástrofe mas é fácil perceber que estará ligado a um acidente/guerra nuclear.

O que impressiona no livro é a descrição da devastação! A cinza e o preto são cores sempre muito presentes nas descrições do ambiente que envolve esta história. Fala-nos de uma atmosfera poluída, cinzas que cobrem a luz do sol, tudo o que é vegetação está queimado, frio glaciar onde por vezes até a neve é cinzenta, não há comida, tudo foi saqueado, pessoas que atacam outras pessoas para sobreviver tornando-se canibais, pessoas essas a que o pai variadíssimas vezes se refere como “os outros”.

Como li algures e muito bem, este livro descreve um ambiente Apocalíptico, numa atmosfera carregada de morte e devastação, onde o único grande objectivo é manterem-se vivos.

A estrada torna-se ao longo da história um dos poucos locais onde é seguro andar, visto que a floresta esconde mil e um perigos e por onde andam “os outros”.

Mas a grande mensagem deste livro é a relação entre o pai e o filho, aliás, personagens que não têm nomes. São sempre referidos como Pai e Filho.

Ao longo desta viagem, o pai tem como grande e único objectivo proteger/ensinar o seu filho a viver naquele mundo totalmente devastado sem nunca esconder a realidade que os persegue e sendo o mais sincero possível.

Para aquele pai, o filho é a sua grande responsabilidade e por ele está disposto a tudo. O filho nesta história em que tudo é negro representa a esperança e a pureza.

O pai acredita que no final da estrada encontrará outros sobreviventes, e que todos poderão ajudar na construção de um novo mundo.
É uma história fortíssima, que demonstra e nos dá um exemplo de como deve ser a relação entre pai e filho debaixo das mais diversas situações.
Gostei muito deste livro...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A história de Edgar Sawtelle

Sinopse

"Edgar Sawtelle nasceu mudo e fala apenas por sinais, levando uma vida idílica com os pais na quinta de família em Wisconsin. Durante gerações, os Sawtelles criaram e treinaram uma raça de cães, cuja lealdade encontra o seu expoente máximo em Almondine, companheira e aliada de Edgar. O regresso inesperado do tio Claude provoca a desordem na casa dos Sawtelles e Edgar vê-se subitamente forçado a viver em território selvagem. Uma história marcada pela força esmagadora do destino que conduz os leitores a um impressionante final."


Não vou desvendar nada em relação á história porque sei que este livro está na lista de eventuais próximas leituras de quem passa por aqui...

Acho que já disse aqui neste blogue que não gosto de livros muito extensos e este livro pode perfeitamente entrar nesse universo porque tem quase 600 páginas. No entanto também li a"A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón" e gostei muito.

Mas em relação a este livro sinceramente fiquei um pouco dececionado. Estava à espera de mais...
Não é que seja um grande especialista nesta área dos livros, porque não sou (ainda me faltam ler mais uns 2346 livros para o ser...), mas não vejo onde a história de Edgar seja assim tão especial.
Existem partes do livro que são bonitas, que estão bem escritas, que nos passam emoções, que nos trasmite a beleza do sítio onde se desenrola a história, a maneira como uma criaça muda vê e comunica com o mundo, o relacionamento/ligação entre pessoas e cães mas também tem outras partes onde somos bombardeados com inúmeras definições ligadas ao tratamento/ensino de cães, neste caso da raça "Sawtelle".
Outras partes da narrativa achei-a... um pouquinho chata ! Se calhar não estou ainda habituado a este tipo de romance ou não fosse eu um adepto do romance policial, com muito suspense e mistério!

O que quero transmitir é que depois de se ler um livro de 600 páginas era suposto chegar ao fim e ...Uauuu!!! Mas não... fiquem mais "Hummmm!!!". Fiquei na dúvida se fui eu que não captei a essência da história ou o que ela nos quer transmitir.

Não estou a dizer que história não seja bonita mas faltou qualquer coisa!!!

Já agora e para finalizar deixo a notícia que esta história vai ser adptada para o cinema e que vai ser produzido por Tom Hanks e Oprah Winfrey


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cal

Este autor consegue fazer-nos sentir realmente o que escreve e desperta em nós emoções e sentimentos que nos fazem reflectir reavivando memórias há muito adormecidas.
Em cada história deste "Cal",  sente-se como ele verdadeiramente ama o seu Alentejo. 

Ana sabia que a burra não valia muito dinheiro. As mãos de Ana eram velhas. Os dedos eram grossos e tinham riscos feitos pela lâmina da navalha de retalhar azeitonas. As palmas das mãos eram grossas e tinham o toque da superfície serrada de um tronco. As mãos do velho Durico eram magras e escuras. As costas das mãos, quando as estendia debaixo de um candeeiro de petróleo, eram suaves. As unhas eram certas por serem cortadas com uma navalha, à noite, quando a fogueira lhe iluminava o rosto. As palmas das mãos cheiravam a terra castanha e a fumo. As mãos de Ana passaram a corda para as mãos do velho Durico. As mãos do velho Durico pousaram duas notas nas mãos de Ana. A corda na mão do velho Durico era pesada e áspera, quando a puxava havia um movimento do corpo da burra que o seguia. Com aquela corda, puxava um corpo. As notas na mão de Ana eram muito leves, como se fossem feitas de teias de aranha, como se fossem uma camada de pó ou qualquer coisa invisível. Ana, o anjo e a cadela entraram nas ruas da vila, atravessaram-nas e, quando chegaram à estrada do monte, sabiam que havia um lugar dentro deles, o interior de uma gota de chuva, onde faltava algo que tinham perdido para sempre.

Excerto de Cal, de José Luís Peixoto

Kat

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Lendo ...


Acabei de ler
"Fim do Alfabeto" de C.S. Richardson.




"Não gostei por aí além"



Vou começar a ler
"Cal" de José Luís Peixoto
Reune 3 poemas, 17 contos e 1 peça de teatro.



Kat

domingo, 24 de janeiro de 2010

O Labirinto da Rosa


Feira das Flores, Ovar 2009

O Labirinto da Rosa, de  Titania Hardie é um romance de estreia de uma riqueza surpreendente que tem no centro da sua trama uma herança enigmática que remonta à época Tudor. John Dee, matemático, astrónomo e conselheiro da rainha Isabel I, deixou escondida uma série de documentos seus por considerar que a humanidade não se encontrava preparada para compreender o que neles estava escrito. As sucessivas gerações de descendentes souberam guardar o segredo da sua localização à espera do momento certo para revelar tais conhecimentos ao mundo. Agora esse momento parece ter finalmente chegado! Um romance soberbo, um verdadeiro labirinto literário, com traços do romance histórico, do romance de aventura e do thriller, e referências vastíssimas que vão dos conhecimentos esotéricos egípcios, templários e renascentistas à história do Islão, ao Cristianismo, ao paganismo ou à astrologia. in Wook

Parte thriller, parte romance histórico e parte caça ao tesouro, lê-se com muito prazer.

 Kat

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Oscar Wilde



O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde
Dorian Gray é um jovem invulgarmente belo por quem Basil Hallward, um pintor londrino, fica fascinado. Determinado a eternizar a beleza de Dorian numa tela, Basil convence-o a posar para ele. Numa dessas sessões, o jovem conhece Lorde Henry Wotton, um aristocrata cínico e hedonista, que o desperta para a beleza e o seduz para a sua visão do mundo, onde as únicas coisas que valem a pena perseguir são a beleza e o prazer. Horrorizado com o destino inevitável que o fará envelhecer e perder a sua beleza, Dorian comenta com os amigos que está disposto a tudo, até mesmo a vender a alma, para permanecer eternamente jovem e manter a sua beleza.

Fortalecido pelo hedonismo, Dorian trata cruelmente a sua noiva, Sybil Vane, que se suicida com o desgosto. Ao saber do sucedido, o jovem começa a notar certas mudanças subtis na sua expressão no quadro, e constata que é o Dorian do quadro que envelhece e que sofre com a passagem dos anos, ao mesmo tempo que o Dorian real permanece com a juventude e beleza intacta.
A tradução era péssima e este clássico não merece traduções assim. No entanto, li e adorei, com a promessa que relerei uma tradução merecedora do génio de Wilde.

Kat