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quarta-feira, 22 de julho de 2009

Caracolada com SPA


Estamos na época em que são dezenas (centenas...) de restaurantes/tascas com o letreiro na porta do estabelecimento a dizer "Há Caracóis" ou "Hoje há Caracoleta".

Depois é ver mesas e mesas repletas de malta animada a comer o belo do caracol acompanhada pela tradiconal e fresquinha "jola"... para quem gosta, é o "pitéu" dos pitéus!!!

Hoje, aproveitando o dia mais "cinzento", passeava pela rua quando sou atormentado por um placard enigmático na vitrine de um espaço de venda de artigos artesanais orientais, mais conhecido por "A Loja do Chinês"...

Nesse placard podíamos ler "Temos Creme Baba de Caracol"...


He lá!!! Baba de Caracol? A de camelo eu sei que gosto mas creme Baba de Caracol???? Utilizando palavras de uma pessoa conhecida "Ca noja".

Ao lado deste magnífico folheto dizia:

O creme baba de caracol é uma das mais poderosas (sim, não fazemos por menos...) fontes naturais de regeneração da pele...

Onde andaram então os especialistas da NIVEA? Da DOVE? Poderosa?? Ouviram poderosa... Brutal!!!

E perguntam vocês: E serve em particular para?
Pois bem, entre outras coisas, retarda o envelhecimento, elimina rugas, combate a flacidez, regenera os tecidos, atenua e elimina manchas na pele, actua no acne, contem Vitamina E, A, B1, B2, C e mais letras no abecedário houvesse.

Sendo assim, quando alguém vos convidar para uma caracolada poderá estar a convidar-vos para um verdadeiro SPA. Ora vejam...

Enquanto se deliciam com os pequenos seres denominados caracóis (os mais brutamontes denominam-se caracoletas...), com o molho dos mesmos poderão fazer uma bela máscara de beleza, bezuntando a cara e restante corpo, se estiverem entre amigos, com a molhanga do caracol. Isto é o verdadeiro SPA Caracolante!!!

Além disso e tendo em conta que as tradições ancestrais apontam para a colocação de pedras quentes sobre o corpo como tratamento terapêutico, poderão substituir estas pedras (que magoam...) pela casca do animal, o caracol... Imaginem então este quadro, diria, eróticamente estimulante: Máscara de beleza com a baba do caracol, sobre as costas, as cascas de caracol quentes enquanto comem os verdadeiros "obreiros" deste verdadeiro SPA.

Assim, para além de saírem do evento com a barriga cheia deste delicioso e corpolento ser, a vossa pele brilhará como nunca e tendo em conta que tarda o envelhecimento, elimina rugas e regenera os tecidos saiem muito mais novos.

Aliás, já estou a imaginar uma caracolada da iniciativa do Centro de Repouso de Montemor-o-Velho em que no ínicio do evento a média de idades ronda os 75 anos e após o repasto desconfio que serão confundidos com uma qualquer caracolada de adolescentes entre os 17/19 anos.

Ah...Aceitam-se encomendas... dizia o placard sob o olhar atento de dois budas dourados ( e reluzentes... cá para mim, deram lustro com creme de baba de caracol) que estavam na montra.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Néctar dos Reis


Ainda deliciada com a montra da Nacional, desviei o olhar para a esquerda em direcção à Rua Augusta, deparando-me com esta montra maravilhosamente decorada, sem artifícios nem enfeites que não sejam os próprios artigos. Artigos de peso, no preço e na tradição.
Suavemente percorri toda a montra à procura de um Vintage muito especial. Vintage é o vinho obtido da colheita de um só ano e é uma denominação atribuída apenas em anos considerados de excepcional qualidade, sendo por isso, a classificação mais alta que pode ser atribuída a um vinho do Porto.


Duque de 1815
«vintage» de 1815 em homenagem ao Duque de Wellington, vencedor de Napoleão em Waterloo.



Em O Crime do Padre Amaro, o cónego Dias abriu uma garrafa, «não do seu famoso ‘duque de 1815’», mas do seu «1847», também um Porto de um grande ano. Mas, no mesmo romance, o abade da Cortegaça, no famoso jantar do meio dia, serviu aos amigos o finíssimo néctar do qual dizia,

«depois de o fazer reluzir à luz na transparência dos copos: Disto não se bebe todos os dias».

Kat

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Montras

Deambulando pela cidade numa tarde de sol invernoso, observo-a ondulante de luz e cor.
A cada passo inspiro o ar festivo que se adensa à medida que desço em direcção ao rio.

Vagueio pela Avenida e ao chegar ao Rossio, encontro a azáfama própria desta quadra. Os turistas passeiam alegres, barulhentos e em grandes grupos espalhafatosos. Os enfeites de Natal estão já à espreita em cada esquina, em cada rua, em cada montra.

Parei e reparei nas montras. Reparei que existem casas cujas montras não têm idade. Não fosse os preços apresentarem um símbolo estranho, poderia fechar os olhos e conseguir ouvir as charretes circulando entre a Praça da Figueira e o Rossio pela estreita Rua da Betesga. Aí mesmo, a meio, encontra-se a Nacional, confeitaria centenária cuja montra é intemporal e de uma riqueza indescritível.

"Fundada em 1829 por Baltazar Roiz Castanheiro, pertence à mesma família há cinco gerações e foi premiada em várias exposições internacionais tanto pela doçaria tradicional portuguesa como pelas inovações criadas ao longo dos tempos. Uma delas é a receita do Bolo Rei (um segredo bem guardado) trazida para Portugal pelo filho do fundador em meados do Séc XIX." in www.confeitarianacional.com
Kat